De partida aos pedaços
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Dias e noites misturados, amor por toda a casa, brinquedos também. A sala de estar mudou, não tem sofá agora é fouton, mais esteira de palha e um assento de meditação. O modo de estar ali também, sempre em estacato, rapidinho, senta e levanta. Tudo que Sr. Mestre mandar, faremos todos!

Vivo. Morto. Vivo. Morto. Vivo. Morto. Vivo. Morto. Vivo. Morto. Vivo. Morto. Vivo. 

Depois vai ficando mais claro, nesse momento quero falar para aqueles que tremem sem a legenda, vibram cada palavra com o frescor perene que a marca dos filhos nos concede.

Brinquedos pela sala sem sofá, suas cores berrantes me surpreendendo e intrigando. Tem uma outra casa dentro da minha. A casa da Clarice. Então é certo que tudo mudou. Nada nunca mais foi inteiro, e descobri que só não sendo inteiro para ser plural. E que isso é um processo, não acontece e acaba, permanece acontecendo para não acabar. A gente perde sempre uns pedaços para poder ganhar espaços. E esses nacos de alma fertilizam a beleza do olhar, melhoram o sujeito em muito. 

Noites e paradigmas esfarelam de pronto, depois, conforme crescem nossos filhos vão partindo outras coisas, quero falar de todas. Em primeira pessoa mesmo, chafurdando na narrativa para tentar adoçar o não dito. Relatos e reflexões sobre a experiência da parentalidade ainda não são senso comum, mas já acontecem, e me presto aqui a fazer parte desse movimento. Relatar, reatar, reafirmar, essa maternidade que acontece assim, aos pedaços, em nacos de maternitice.