Ensaio de Lia – mãe de Gui
“Ser mãe é carregar marcas. Na alma de quem ama, é obvio. Mas no corpo só as mães.Já é um patamar que outros não podem atingir. Tenho três filhos. Uma foi parida também pelo corpo, e me deu um sorrisinho ao pé da barriga. Dois vieram por adoção. Todos profundamente inscritos em cada dobrinha do meu corpo etéreo. Mas um… um me tornou tatuada, o que me era impensável. Também me fez órfã de filho, já que desconheço termo equivalente. Talvez o tamanho da dor tenha roubado a palavra aos linguistas. Meu menino partiu aos 15 anos. Sem doençaaparente. Sem remédio. Seu pedido de aniversário, uma semana antes, fora uma tatoo. Pedido negado por motivos óbvios: queria tatuar o nome da namorada da vez, e elas eram trrocadas a cada semana. Por excesso de vida. Por pressa. Por vontade de amar. Assim, no dia mesmo de sua morte, várias mulheres foram tatuadas, e eu sou uma delas. Meu presente para o meu menino.”
Lia

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