Farta

Como a vida tem sido generosa comigo! Ah, eu devo ter feito algo de muito bom para estar ganhando agora esse pacote concentrado de aprendizado. Outro dia, em meio a palavrões e bruxarias desejei mal a alguém. Quem nunca? Não me julgue. Daí veio essa noviça de mulher e diz, “deseje aprendizado, vai ser melhor que qualquer coisa. Real.”, ela disse.

Pois estou com aprendizado em estoque aqui pra ser assimilado. Olho para o que se apresenta no momento presente e sinto um desejo enorme de avançar. Apesar da canseira, apesar de tudo que terá de ser revisitado muitas vezes pra ser compreendido. Se realmente houver chance pra isso. Tem coisas que a gente aceita, dói menos mesmo. Leve trava  línguas. Funciona só na literatura, porque na vida real a língua anda solta e isso tem trazido muitos problemas. Acuidade excessiva pesa, perde o charme e a leveza.

“Fundo de poço tem mola”, disse um moço que não sei o nome, no filme Tarja Branca. Excelente dica. E agora era bom subir.

Tua vida está ruim? Ruim não é a palavra, árdua, minha vida está árdua. O cuidado toma mais que canseira física, ou mental ou psíquica, o cuidado pede todas, plus um sorriso. E a gente faz. Como não faz com aqueles olhos enormes pregados em você, cheios de expectativas?! Amamenta também. E admira, só. Fica humilde, não dá pra assimilar esse tanto de real. A vida está cheia de informação.

Essas duas pessoas que convidei pra minha vida. DUAS pessoas. São peculiares, sujeitos distintos, em momentos de vida tão diferentes. A mais velha quer dominar o mundo e não aceita não como resposta, fase que se arrastaaaaaa. O bebê quer ficar no peito, no colo, no chão brincando, babando e pirando com os bichinhos.

Ela começa a desafiar coisas que já sabe que tem que ser, resolveu rebelar contra autoridade. Sociedade, sério, nunca imaginei que era assim. Consequência, vai de castigo, fica “presa” em longas conversas comigo, sobre coisas que “eu não quelia falar”. Estamos nos conhecendo mais no processo, mas não é fácil. Nem prazeroso. Pode ser glorioso. É ambivalente. Ambi-dois, valente somos! Tudo aqui. Tudo nosso. Tô amando profundamente.

Ele, nunca vi olhar mais brincalhão. Bebê sentante precoce que não se  aguenta de apetite e quer devorar o mundo, cheio de dentes ele está! As crias vem preparadas pra cooperar com a materna, de alguma forma, mesmo quando parece que não, eles vem junto, e miúdo “sabe” que estamos num ritmo intenso, daí desanda a crescer. Tento sorver cada cheiro de cabeça, pescoço, boca. Apaixonada, completamente.

Ouvi assim outro dia: “eu amo mamãe e irmão porque eles me cuida e me faz sentir bem”. Isso. Amar é uma coisa que acontece o tempo todo, tem horas que mais outras que menos, horas de amor positivo e generoso, horas de ódio intenso e vingativo. Então a gente tem que se permitir amar sempre, mas tentando ao máximo equalizar pra todo mundo ficar bem.

Tentando é que a gente consegue. Esse é o nível mais profundo (outro jeito de dizer “baixo”) a que cheguei, frases de efeito no melhor estilo poliana de ser. Não tem jeito, tem que ser assim. Adélia Prado me  mandou sofrer com esperança e achei lacrador, como se tem dito por aí. Fecha aspas. Segue o bailado.

Elis Barbosa

2 thoughts on “farta

  1. Em meio a tudo, vem ainda muito deleite com o amor…você verá e, melhor, sentirá! Hoje, dirigindo com as duas nas cadeirinhas atrás, ouvi “Aila é tão carinhosa!” e quase desfaleci!!
    Verdadeiramente, uma PESSOA expressando seu amor gratuitamente pela irmã!! Fez meu dia feliz!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *