Não faz…

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Ninguém faz filho sozinho. Precisa de dois. Não interessa que dois, se homem e mulher ou outra configuração familiar possível, que são múltiplas as possibilidades, não importa: sozinho não é possível.

Ninguém passa a gestação sozinha, por mais solitária que seja a mulher a barriga que cresce não permite que ela passe despercebida. E com isso quero ressaltar o acompanhamento afetivo e efetivo, aquele que nos mobiliza a entrar em contato com o outro e reconhecer-lhe a humanidade.

Se nenhuma das etapas é vivida sozinha, então como é que pode essa mulher parir sozinha? Não pode a contento. Parir sozinha (desassistida) não faz bem pra ninguém, salvo é claro se isto estiver revestido de significado cultural, o que também já traz para a cena a presença do coletivo, mesmo que na esfera do imaginário. Nem mãe nem bebê podem se beneficiar da ausência da pessoa que a mãe escolheria para estar ao seu lado nesse momento único. Menos ainda a pessoa impedida de ocupar um lugar tão especial, proibida por questões de ordem institucional e inconstitucional. Pasmem: nem a equipe de assistência ao parto se beneficia da ausência desse acompanhante, pois acompanhada e sentindo-se segura a mulher requisita muito menos essa equipe.

Todos perdem. A tal ponto, que a ciência se mobilizou para estudar o assunto e colheu indícios tão consistentes quanto as vozes das mulheres que já diziam de tudo isso a partir de seu saber de si. segundo consta no site Parto do Princípio (www.partodoprincipio.com.br), parturientes acompanhadas, por acompanhante escolhido por ela, apresentam diminuição do tempo de trabalho de parto, aumento do sentimento de confiança, maior controle e melhor comunicação, menor necessidade de medicação e analgesia, menor necessidade de parto operatório ou instrumental, menor taxa de dor, pânico e exaustão, menor escores de Apgar abaixo de 7, aumento dos índices de amamentação, melhor formação de vínculo mãe-bebê, maior satisfação da mulher, menos relatos de cansaço durante e após o parto. Quando esse acompanhante é o pai, há diminuição do sentimento de medo na parturiente durante o parto, melhores percepções sobre o parto, menores taxas de sentimento de incerteza, maior suporte para compartilhar alegrias, auxílio na primeira mamada e maior duração do aleitamento materno.

Desde abril de 2005 existe uma lei federal que garante o direito ao acompanhante, a lei no. 11.108. Segundo seu texto, toda mulher tem direito à acompanhante no pré-parto, parto e pós-parto. Além do direito ao acompanhante ela tem também direito de determinar, segundo seu desejo, que acompanhante será esse. Essa lei é ostensivamente descumprida, todos sabemos, e a cada vez que deixa de valer, os direitos das mulheres, como um todo, perdem um pouco mais da credibilidade. Será esse legado que deixaremos para os nossos filhos?

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