Vá você pra casinha!

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Terça-feira recebi de um amigo uma matéria falando sobre a primeira cabine de amamentação instalada no aeroporto de NY, veja aqui.
Não aguentei, escrevi pra dizer, e repito: se é pra maior conforto de mãe e bebê, faz com vista pro mar!
Não, eu não li a matéria ainda. Devo curtir mais um pouco o estarrecimento que sinto quando leio uma manchete dessas, pois será ele o alimento da minha luta constante contra as trevas da ignorância e a maldade. Todos sabemos que, em cativeiro, os animais tem alterações severas de comportamento, especialmente no apetite e procriação. Sabendo disso, como posso classificar essa cabine ridícula?! Já classifiquei.

ATENÇÃO: é maldade trancar uma mulher com sua cria faminta. É DESUMANO.

Você que me lê, foi amamentado?
A maioria das pessoas não tem isso pra dizer, não foi amamentada. Amamentar é restrito à mulheres, se não for mulher não amamenta, e como tudo que é do feminino, o aleitamento materno vem sendo tratado como uma coisa feia, suja e imoral. Nossa sociedade machista precisa diminuir o que é do feminino, antes que tudo se acabe em maternidade empoderada, amamentação amorosa e criação consciente com apego.
Amamentar envolve prazer físico e psíquico, restrito às mulheres que dão conta de sentir tudo isso sem culpa, Freud em um texto de 1906-1908 diz que uma mulher, enquanto amamenta seu filho, dispensa o amor do marido, não precisa dele, a amamentação “substitui” a necessidade do prazer sexual (grosso modo, preciosistas de plantão!). Pode isso?! Pode sim, é inclusive um poderoso contraceptivo natural, além dos hormônios envolvidos na amamentação inibirem a ovulação deixam a “libido” da mulher “satisfeita”.
Como lidar com tanta plenitude? Com esse poder todo?! Homens? A maioria lida competindo pela atenção da mãe, digo mulher, quer dizer mãe do filh@ deles. Fica confuso mesmo. Ouço inúmeros relatos de como o marido, de repente, precisa urgentemente da mulher, é só ela estar amamentando. São canalhas maquiavélicos? Não, são mamíferos que não tiveram suas necessidades essenciais atendidas quando eram bebês e ao verem um tendo querem para si também. Pecado nenhum, normal. O pecado é dizer mal disso, é desdenhar disso tornando a vida de mãe e bebê mais difícil.
“Ah, eu não fui amamentado e nunca senti falta?!”. Nem vou ouvir, é muito absurdo na frase.
“Eu não fui amamentado e sobrevivi.” Eu fui atropelada e não morri.
“Ah, eu não quis amamentar e sou ótima mãe.” Cada um sabe onde lhe apertam os calos, não julgo quem decide pela mamadeira, pelo leite sintético, amamentar é natural, mas a gente luta tanto contra o natural que tem horas que fica difícil.
Tem que ter peito pra estar disponível à fome do outro (e essa expressão, “tem que ter peito”, não surgiu a partir das armaduras do homem de ferro). Tem que ter peito para suportar, a despeito das suas próprias necessidades (fome, vontade de ir ao banheiro, cansaço) uma pessoa chupando sua teta sem parar. Tem que ter muito amor para suportar as dores do começo, pra se doar mesmo sem querer.
Tem que ter mais peito ainda para assumir que não quer amamentar, que não consegue, e escolher maneiras de “reparar” as perdas que isso envolve, pois argumentos não mudam o fato de que o aleitamento materno guarda benefícios exclusivos. Sem jamais esquecer que toda mãe vai sempre fazer o melhor que pode por seus filhos, sempre. Será sempre a melhor mãe que PUDER ser, portanto não julguemos.
Antes que eu me esqueça, está achando chata minha militância? Então pare de provocá-la. Me deixe em paz pra amamentar minha cria. Meu ato te incomoda, entra você na cabine, e nem precisa pedir licença. Já vai tarde.

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